"Que queres tu, meu gajeiro, que alvíssaras te hei-de dar ? "
Era tempo da primária, e eu bem sabia o poema da Nau Catrineta de cor . Posso dizer que, ainda hoje, o sei . Bem, uma boa parte pelo menos .
Esses tempos eram felizes, não tinhamos preocupações .
Como escrevi no outro dia, no Twitter e no Facebook, respondendo ao tema #whenwewereyoung, escrevi :
"#whenwewereyoung we didn't like the grown ups but we wanted to be one and grow fast . Now we look behind and say : I wanna go back to simple . "
É verdade .
Muitas vezes pensamos assim .
Mas depois penso que há coisas que nunca mudaria . Já vivi tanta coisa, e há momentos que ainda bem que vivi, ainda bem que existem e que ainda bem que ficam . Não troco memórias .
Isto tudo para dizer :
"Que queres tu, João Francisco, que alvíssaras te hei-de dar ?"
Não tenho nada de novo para te dizer, e o que tu queres acho que não tenho forças para te dar .
Tenho pena que seja assim e, por vezes, parte-me o coração pelos momentos que passámos antes de tudo acontecer, antes de Janeiro de 2008 . Mesmo pelos momentos passados depois . Mas por mais que me bata e me batam na cabeça, acredito que não posso fazer mais que isto, e que será o melhor para mim .
Não gosto de ti da mesma maneira, já não estarei apaixonada, coisa difícil e que creio nunca me ter acontecido antes . Mas se aconteceu, foi porque tinha que acontecer. O que foi, foi, e é passado agora .
É óbvio que fica sempre qualquer coisa . Não se apaga com uma borracha, não se esquece . Mas tapa-se com corrector e escreve-se por cima .
É como os pais que, quando se divorciam, dizem aos filhos mais novos "O teu pai e eu estamos divorciados, já não vivemos juntos, seguimos com as nossas vidas . Mas vamos amar-nos sempre . Foi um sentimento muito forte, que fica connosco, e tu és a prova disso . " . Nunca percebi esta expressão, e agora entendo-a .
É como uma tatuagem que se faz, e que tem um significado por de trás, mas que depois deixa de fazer sentido e tenta-se esconder com uma tatuagem nova ou apagando com laser . Por mais esforços que façamos, fica sempre lá a cicatriz e não há volta a dar .
Marca sempre .
Mas prefiro a distância . Não teria a menor vontade de te ver a ti nem à tua namorada . Ela, coitada, não tem culpa de nada . Quer dizer, tem só um bocadinho, mas não deve de ter . Não a conheço, e ela não me conheçe, e isto era, e é, um assunto entre nós os dois . Ninguém mais há a culpar e responsabilizar .
Sei que eventualmente, e por forças maiores, terá, muito infelizmente, que acontecer. Mas, enquanto poder evitar esse confronto, estou bastante bem . Apesar de que, nestas últimas duas noites, não sei bem porquê, os protagonistas dos meus sonhos terem sido tu, a tua namorada, a tua irmã e a tua mãe .
Espero que não se repita, porque é esquisito .
Todo este post é esquisito, mas escrever ajuda, e tu bem sabes que gosto de escrever . Isto é para mim, para ti, e para todos os que lerem . É aquilo que sinto e que está cá dentro .
Quero dormir descansada . Ou pelo menos tentar .
E preciso de sair daqui .
Tenho muitos trabalhos para fazer .
Marta
Sunday, December 06, 2009
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